sexta-feira, 4 de abril de 2008

ORFANDADE


8h da manhã,caminhava na calçada para chegar à uma consulta médica.
O passeio estava com um barro vermelho e fui para o meio da rua para
não sujar os sapatos.
Uma Kombi vinha em minha direção.Esperei passagem e nada! Ao meu lado
um senhor simpático,começando o dia disse:"-o mundo acabou,minha
senhora! Vê se pode,esse motorista quase joga o carro em cima de nós."
Eu imendei o papo e concordei com o senhorzinho: estamos no fim!
Fim da cordialidade,da gentileza,do pensar que existe "outro".
O mundo é o lugar de fazer só a própria vontade.É o grande mal do mundo:
a intolerância.
Viver anda mesmo difícil.Já saimos da porta de casa com engarrafamento,só temos tempo para controlar o relógio e todo o resto nos estressa...
Aonde vamos chegar?
O que pensa um pai que joga a filha do sexto andar?
Um governo que não controla a dengue no seu Estado?
Um adolescente que já matou mais de 20 pessoas?
Acordei com preguiça de enfrentar a falta de delicadeza das pessoas.
Quem será que vai salvar o meu dia?
Eu mesma.Tomei um banho,coloquei uma roupa bonita e fui à missa rezar.

texto e foto: Marcelle Azeredo
Quadro: Ir. Juliana Tartas 1970

Um comentário:

Anônimo disse...

Vivemos no "mundo da tolerância", disse algum filosofo pensante por aí. Mesmo, ainda, que vc esteja indignada com a falta de educação desse motorista - a exemplo dele existem outras pessoas - nós toleramos tudo. Toleramos esse motorista, toleramos nosso governo, toleramos a injustiça, toleramos nossos amigos, parentes, vizinhos. Toleramos tudo! para vivermos "bem" com nós mesmo. E, nesse caso, nem demos conta de que acabamos de tolerar a nós mesmo a nosso própio pensamento, nossas ídéias.
Se aceitar esse pequeno texto é por tolerância e não porque te faça bem.