quarta-feira, 30 de novembro de 2011

DE VOLTA

Precisava de um pouco de paciência,um cantinho no quarto
e uma almofada na cabeça.
Pegar os bordados,linhas,agulhas e meus trequinhos.
Está tudo na estante meus livros,as fotos,presentes,velhos
papéis.
Uma retomada,assentando aos poucos o pensamento.
Andava agitada,num frenesi,fazia,fazia para não pensar e
o tempo passar rápido e realmente passou já é quase Dezembro.
Nunca pensei num ano com várias mudanças,com tantas escolhas
para fazer.Parece que deu certo,é o que precisava acontecer.
Liberdade é não hesitar.Errar,acertar,acertar,errar não importa
a ordem.
Tenho que estar com meu velho caderninho a mão,procurar um pouco
de paz,sem me anestesiar com a tv e as revistas semanais.
Talvez venha alguma coisa,mas já vale a pena este exercício que
com mais alguns ensaios,vai deixando toda a história registrada.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Intoxicação

Na vida tudo parece tão natural!
É assim mesmo!
Muitas das decisões são independentes à nossa vontade.
Brincam com o destino,sem cerimônia,justificados pelo egoísmo
e pelo abuso de poder.
Só nos resta aceitar e também agradecer por estarmos livres de certos
ambientes medíocres.
Porém, é tudo muito cansativo,lutar por um lugar,ser valorizado ou ao
menos respeitado.
O mundo vive em desamor,as relações são banais,mera formalidade:no casamento,
na família e no trabalho.
Ando achando o universo chato,ao meu redor vejo bichos,nada mais.
Preguiça de um dia depois outro,mais outro...
Parece que nunca vai mudar nada. Aliás,não vai mudar mesmo.
Não dá para ficar alheia,mas tô tão intoxicada,que até de mim tô cansada.
Cansada de ter que dar a volta por cima,de ter criatividade,de sobreviver
das cinzas.
Se eu sumir por um tempo,não se espantem!

domingo, 23 de janeiro de 2011

Dom


É noite,
lua cheia no céu,
brisa da praia,carros,ônibus,
sábado no Rio.
Olívia Hime ao fundo,
eu esparramada no sofá da varandinha.
A boneca de cabaça ao vento,
uma paz que é dom ,invade...
Olho os objetos que gosto,resgato meu lar!
O amor tá perto,
meu amor está comigo,
uma boa noite!
Simplicidade suaviza meu olhar,todo meu rosto.
As cores se misturam em alegria,outro dom de Deus.
Um momento que é oração.
Vida prazenteira,que tem lua,mar,som,movimento,
gente por perto.
Tudo é graça!

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Me tiram a alegria


Ainda perdoar é difícil!
Vejo minhas crias sendo manipuladas,
emocionalmente abaladas,
moralmente violentadas e não conseguem reagir.
Por instantes desejo todo o mal,a morte mais doída,
o sofrimento mais atroz.
Talvez o despreso seja mais eficaz.
Destilo meu féu hoje,pois acabando este ano,
pretendo não lembrar disso mais.
Pinto a parede do quarto de azul,cortinas novas,
meu criado mudo,minhas miudezas e as grandezas:
minha família de volta,velhos amigos pertinho,
antigos lugares conhecidos,a vontade de recriar
um mundo com mais sentido.
Amar sem medida e servir,em tudo amar e servir!


Texto: Marcelle Azeredo
Foto: Duda Azeredo

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Trabalho de formiguinha


Vejo correr em mim
sangue renovado,
com vontade de tornar completa
a alegria.

O que é meu
é seu também,
o que é fácil
e o difícil.

Somos unidade
em mundos paralelos
e liberdade para
novas batalhas.

Texto: Marcelle Azeredo

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Árvore genealógica

Meu avô plantou,morreu.
Minha avó cuidou,enviuvou.
Meu pai fez planos,adoeceu.
Minha mãe privou-se,trabalha ainda.
Eu casei,procriei.
Meu marido construiu,destruiu tudo.
Duda nasceu,cresce.
Nana nasceu,cresce também.
Um dia ,mais outro e sabedoria para os que ainda estão por aqui.
Encontrar lugar.



Texto:Marcelle Azeredo

terça-feira, 29 de junho de 2010

Escatológica


Me sinto diante de Deus, na sua luz perto de todos.
Aprendo que tornar-se pobre diante de Deus é ganhar a salvação, a certeza
de que nada acaba nestes tempos e nem mesmo algumas passagens e histórias vividas
me tirarão o brilho dos olhos.
Me sinto amada, apesar deste amor ser imerecido.
É isso que marcou,que fica e se possível de agora prá frente,
ser para o outro o que for necessário.

Texto: Marcelle Azeredo
Foto: Gilney Fragata- Amazônia

domingo, 27 de junho de 2010

Certeza


É na palavra que me digo,me revelo e me manifesto.
Dou a minha palavra,fico visível,um livro aberto.
Prá se dizer tanta coisa que passou, tanta história que marcou.
Escrevo sem tinta,no papel registro com o espírito.
Criar é apostar no bem,exercitando a soberana liberdade.
Também preciso escutar outras palavras,toda palavra que excede
e transborda:
-Tu sabes que te amo!!
Amém


Texto: Marcelle Azeredo
Foto: Gilney Fragata- Pôr-do-sol na Amazônia

segunda-feira, 21 de junho de 2010

segunda-feira


Acordei meio cedo,530h. Boa hora para meditar um pouco e me inspirar. No evengelho de hoje, Mateus narra uma passagem onde jesus dizia:"não julgueis e não sereis julgados". Como é fácil tentar solucionar o problema do outro,ou mesmo, criar expectativas em relação ao outro,projetar no outro o que você gostaria de ser ou fazer.Esta leitura me fez lembrar de tanta gente que passou em minha vida e que este conselho cairia como uma luva. "Vós sereis julgados com o mesmo julgamento com que julgardes;e sereis medidos com que medirdes".Fechei os olhos e em silêncio fiquei saboreando estas palavras e pensando o quanto deixei me julgarem e também quanto julguei sem ter o menor direito. Quantas vezes me acho melhor que os outros, mais experiente,mais espiritualizada,mais mais...
Sejamos misericordiosos,atitude de sabedoria,pois o mundo dá tanta volta e por muitas vezes não sabemos por onde ir...
O inverno começa hoje,é um tempo que somos convidados a nos recolher mais,porém procuramos nos aquecer também. Momentos que propiciam o diálogo,dividir um café,um chá ,um chocolate. Tempo de partilhar mais,se interiorizar. É o friozinho aquecendo o coração e as relações! "Hipócrita, tira primeiro a trave do teu próprio olho e então exergarás bem para tirar o cisco do olho do teu irmão".Acabo de ouvir no rádio um pouporri de Vinícius e Toquinho: a vida se dá para quem se deu! Não preciso falar mais nada.

Texto: Marcelle Azeredo
Foto: Gilney Fragata

sexta-feira, 30 de abril de 2010

No quarto


Quando eu fico naquele silêncio,prestando atenção até no voar de um mosquito,procuro o macio do colchão,me estico,espreguiço prá todo lado.
Parece perda de tempo,o puro ócio.
Organizo o pensamento,empilho sonhos e me encho de esperança.
Sol rasgando a janela,aquecendo o coração e os dias.
Balanço meus pés prá lá e prá cá,entre a liturgia diária e o livro de Adélia Prado,torço para esticar o tempo...


Foto( Museu de arte da Pampulha) e
texto: Marcelle Azeredo