quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Me tiram a alegria


Ainda perdoar é difícil!
Vejo minhas crias sendo manipuladas,
emocionalmente abaladas,
moralmente violentadas e não conseguem reagir.
Por instantes desejo todo o mal,a morte mais doída,
o sofrimento mais atroz.
Talvez o despreso seja mais eficaz.
Destilo meu féu hoje,pois acabando este ano,
pretendo não lembrar disso mais.
Pinto a parede do quarto de azul,cortinas novas,
meu criado mudo,minhas miudezas e as grandezas:
minha família de volta,velhos amigos pertinho,
antigos lugares conhecidos,a vontade de recriar
um mundo com mais sentido.
Amar sem medida e servir,em tudo amar e servir!


Texto: Marcelle Azeredo
Foto: Duda Azeredo

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Trabalho de formiguinha


Vejo correr em mim
sangue renovado,
com vontade de tornar completa
a alegria.

O que é meu
é seu também,
o que é fácil
e o difícil.

Somos unidade
em mundos paralelos
e liberdade para
novas batalhas.

Texto: Marcelle Azeredo

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Árvore genealógica

Meu avô plantou,morreu.
Minha avó cuidou,enviuvou.
Meu pai fez planos,adoeceu.
Minha mãe privou-se,trabalha ainda.
Eu casei,procriei.
Meu marido construiu,destruiu tudo.
Duda nasceu,cresce.
Nana nasceu,cresce também.
Um dia ,mais outro e sabedoria para os que ainda estão por aqui.
Encontrar lugar.



Texto:Marcelle Azeredo

terça-feira, 29 de junho de 2010

Escatológica


Me sinto diante de Deus, na sua luz perto de todos.
Aprendo que tornar-se pobre diante de Deus é ganhar a salvação, a certeza
de que nada acaba nestes tempos e nem mesmo algumas passagens e histórias vividas
me tirarão o brilho dos olhos.
Me sinto amada, apesar deste amor ser imerecido.
É isso que marcou,que fica e se possível de agora prá frente,
ser para o outro o que for necessário.

Texto: Marcelle Azeredo
Foto: Gilney Fragata- Amazônia

domingo, 27 de junho de 2010

Certeza


É na palavra que me digo,me revelo e me manifesto.
Dou a minha palavra,fico visível,um livro aberto.
Prá se dizer tanta coisa que passou, tanta história que marcou.
Escrevo sem tinta,no papel registro com o espírito.
Criar é apostar no bem,exercitando a soberana liberdade.
Também preciso escutar outras palavras,toda palavra que excede
e transborda:
-Tu sabes que te amo!!
Amém


Texto: Marcelle Azeredo
Foto: Gilney Fragata- Pôr-do-sol na Amazônia

segunda-feira, 21 de junho de 2010

segunda-feira


Acordei meio cedo,530h. Boa hora para meditar um pouco e me inspirar. No evengelho de hoje, Mateus narra uma passagem onde jesus dizia:"não julgueis e não sereis julgados". Como é fácil tentar solucionar o problema do outro,ou mesmo, criar expectativas em relação ao outro,projetar no outro o que você gostaria de ser ou fazer.Esta leitura me fez lembrar de tanta gente que passou em minha vida e que este conselho cairia como uma luva. "Vós sereis julgados com o mesmo julgamento com que julgardes;e sereis medidos com que medirdes".Fechei os olhos e em silêncio fiquei saboreando estas palavras e pensando o quanto deixei me julgarem e também quanto julguei sem ter o menor direito. Quantas vezes me acho melhor que os outros, mais experiente,mais espiritualizada,mais mais...
Sejamos misericordiosos,atitude de sabedoria,pois o mundo dá tanta volta e por muitas vezes não sabemos por onde ir...
O inverno começa hoje,é um tempo que somos convidados a nos recolher mais,porém procuramos nos aquecer também. Momentos que propiciam o diálogo,dividir um café,um chá ,um chocolate. Tempo de partilhar mais,se interiorizar. É o friozinho aquecendo o coração e as relações! "Hipócrita, tira primeiro a trave do teu próprio olho e então exergarás bem para tirar o cisco do olho do teu irmão".Acabo de ouvir no rádio um pouporri de Vinícius e Toquinho: a vida se dá para quem se deu! Não preciso falar mais nada.

Texto: Marcelle Azeredo
Foto: Gilney Fragata

sexta-feira, 30 de abril de 2010

No quarto


Quando eu fico naquele silêncio,prestando atenção até no voar de um mosquito,procuro o macio do colchão,me estico,espreguiço prá todo lado.
Parece perda de tempo,o puro ócio.
Organizo o pensamento,empilho sonhos e me encho de esperança.
Sol rasgando a janela,aquecendo o coração e os dias.
Balanço meus pés prá lá e prá cá,entre a liturgia diária e o livro de Adélia Prado,torço para esticar o tempo...


Foto( Museu de arte da Pampulha) e
texto: Marcelle Azeredo

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Pela janela


A maior arte é viver a realidade,sem pressa.
Firmeza e dignidade.
Essa vida permeada de mal e bem,
ora em cima, prá cima,
ora embaixo,prá baixo, carrossel.
O mundo dá voltas e ronda o peito,
sentimentos, emoções.
O real é o que é! Diante dos olhos e no
fundo do coração...


Texto: Marcelle Azeredo
Foto: Duda Azeredo