segunda-feira, 8 de setembro de 2008

SEDE


Quero algo bem gelado,
anestesiar a garganta,
entalada por um nó
que se chama desapego.

Ausência de compania.
Perda de um ninho.
A minha volta ao deserto.
Alma desnuda,sem saída!

A porta estreita seria o caminho fácil
Crer no consenso,escolha fútil.
Liberdade é exceder-se.
Felicidade completa é mito.

Revelo a condição humana,
nua diante do paraíso,
oca de sentido.
Largo a capa do herói,
angústia insuperável.

Estar a caminho,estou no caminho.
Olho uma estrada longe,longe...
Amargar um longo asfalto.
Encarar,ir à pé,se preciso for.
Arrisco-me pela mudança,pelo
prazer de construir o presente.

O pão não me sacia...
Não encontro consolo em milagres...
Não me submeto,não me sujeito
mais à autoridade alheia.
Esbarro na chegada da clareira,
posto de reabastecimento...

texto: Marcelle Azeredo
Foto: Gilney Fragata,Sj

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

CICLO


Janela aberta,
possibilidade infinita.
Respirar a vida,
inspirar alegrias.
Refletir no espelho a esperança
em construir mais pontes:
Atalhos para amizade.
Partilhar dons,
renovar como um rito.Da uva faz o vinho,
o sangue da vida.
Do fermento ao pão,alimento e palavra.
Percurso das águas,
recomeço,
início que não tem fim.

Poesia Opa Santa Luzia 24/8/2008- Rachel,Fabiana,Daiane,Lucinéia,Camilla e Marcelle
Foto: Duda Azeredo