Quero algo bem gelado,
anestesiar a garganta,
entalada por um nó
que se chama desapego.
Ausência de compania.
Perda de um ninho.
A minha volta ao deserto.
Alma desnuda,sem saída!
A porta estreita seria o caminho fácil
Crer no consenso,escolha fútil.
Liberdade é exceder-se.
Felicidade completa é mito.
Revelo a condição humana,
nua diante do paraíso,
oca de sentido.
Largo a capa do herói,
angústia insuperável.
Estar a caminho,estou no caminho.
Olho uma estrada longe,longe...
Amargar um longo asfalto.
Encarar,ir à pé,se preciso for.
Arrisco-me pela mudança,pelo
prazer de construir o presente.
O pão não me sacia...
Não encontro consolo em milagres...
Não me submeto,não me sujeito
mais à autoridade alheia.
Esbarro na chegada da clareira,
posto de reabastecimento...
texto: Marcelle Azeredo
Foto: Gilney Fragata,Sj
